Sinopse

Esta colectânea dos meus artigos de opinião, alguns publicados em jornais, outros apenas no LinkedIn e outros que não deixaram o meu computador , pretende ajudar a contextualizar a minha visão acerca de vários aspectos da ciência e inovação, e o potencial papel que a universidade, unidades de investigação e demais actores podem ter neste processo.

Vivemos numa era paradoxal. Nunca a ciência teve tanto impacto na forma como vivemos, trabalhamos, comunicamos ou fazemos política. E, no entanto, raramente o debate público sobre ciência, tecnologia e inovação foi tão superficial.

Durante anos, o discurso dominante sobre ciência e inovação construiu uma narrativa confortável: a ciência produz conhecimento, as empresas transformam-no em produtos, os mercados recompensam as melhores ideias e o progresso acontece naturalmente. No entanto, a realidade é muito menos elegante.

A inovação nasce de conflitos institucionais, de ciclos longos de investimento público, de decisões políticas sobre risco e prioridade. Nasce também de falhas - de tecnologias promissoras que nunca encontram financiamento, de investigação brilhante que não encontra aplicação, de ecossistemas científicos que celebram publicações mas ignoram impacto estratégico.

"Pois o grande inimigo da verdade muitas vezes não é a mentira – deliberada, artificial e desonesta – mas o mito – persistente, persuasivo e irreal. (...). Sujeitamos todos os factos a um conjunto pré-fabricado de interpretações. Desfrutamos do conforto da opinião sem o desconforto do pensamento." - John F. Kennedy

Poucas coisas são mais perigosas para uma sociedade do que o conforto da opinião sem o desconforto do pensamento. Vivemos numa sociedade profundamente moldada pela ciência e pela tecnologia, mas curiosamente cada vez mais confortável em ignorar como elas nascem, quem as constrói e que decisões políticas moldam o seu futuro.

Este livro partilha a minha visão assente na minha experiência como investigador e Presidente duma unidade de investigação desde 2012 e reúne textos escritos ao longo de vários anos sobre ciência, inovação, universidades, deep tech, soberania tecnológica e o papel da academia na sociedade. Mas, acima de tudo, este livro é sobre responsabilidade. A responsabilidade de cientistas que não podem limitar-se ao laboratório. A responsabilidade de universidades que não podem fingir irrelevância estratégica. E a responsabilidade de sociedades que querem beneficiar da ciência sem enfrentar as decisões difíceis que ela exige.

A ciência não é neutra no mundo real. O conhecimento pode libertar sociedades ou torná-las dependentes. Pode gerar prosperidade ou concentração de poder. Pode reforçar democracias ou amplificar desigualdades. Ignorar essa realidade não torna a ciência mais pura. Apenas torna o debate público mais pobre.

Aos potenciais interessados: não hesitem em contactar-me! Até lá desejo uma agradável leitura